22º Domingo do Tempo Comum, Ano C

Deus manifestava-se no Monte Sinai em fogo e trevas.

A Liturgia da Palavra deste 22º Domingo Comum – C, coloca-nos perante uma decisão importante que é preciso fazer, isto é, a Escolha do Último Lugar. É que, normalmente, toda a gente procura o melhor para o seu futuro, para a sua vida e, um primeiro lugar, em qualquer das muitas circunstâncias da nossa vida, é uma meta a atingir. Logo, procurar, ou pelo menos aceitar, o Último lugar, supõe, pelo menos, um elevado grau de virtude. Foi isso que Jesus nos ensinou e é nisso que hoje estamos a tentar fazer as nossas reflexões para a nossa vida.


A 1ª Leitura é do Livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), que nos diz que o homem prudente alicerça o seu julgamento, ensino e conduta, na experiência real, nos acontecimentos, e está atento à maneira de ser, pensar e agir do seu semelhante, numa linha de dedicação e humildade.


- “Quanto maior fores, mais deves humilhar-te, e terás a aceitação do Senhor. Pois o Senhor é grande, e os humildes cantam a Sua glória”.(1ª Leitura).

Aceitar um Último lugar, pode muito bem representar um bom acto de humildade. A humildade do que aceita o Último lugar, opõe-se à auto-suficiência do orgulhoso que busca sempre o primeiro lugar, que por vezes é escravizante para o próprio, e anti-humano para os outros, pela acepção de pessoas, distinção de classes, raça, sexo, religião, etc. O sábio, o humilde e prudente gera a alegria à sua volta, e sente na sua vida a bondade do Senhor como proclama o Salmo Responsorial :


- “Em vossa bondade, Senhor, preparastes uma casa para o pobre”.

Na 2ª Leitura, S. Paulo invoca o Antigo Testamento, em que Deus Se situa num plano quase inacessível ao homem, quando diz «Eu sou Aquele que sou», para dizer aos Hebreus, e hoje também a todos nós que, na presente economia cristã, nós pertencemos ao Povo de Deus.

- “Vós não vos aproximastes de uma coisa palpável, como os Israelitas no Monte Sinai: fogo ardente, nuvem escura, trevas densas ou furacão(...) mas da Jerusalém celeste”... (2ª Leitura).


No Novo Testamento Deus torna-Se mais acessível e menos solene. Toma para Si um nome humano – Jesus – que significa Libertador. Em Jesus Cristo estabelece uma nova Aliança, toda ela feita de alegre intimidade e de união com todos os membros do Povo de Deus.


O Evangelho é de S. Lucas, que nos apresenta novamente uma presença de Jesus no ambiente duma família para aí fazer a Sua pregação, por meio de parábolas. Apesar de saber que nem sempre era convidado com boas intenções, Jesus aceita para aproveitar o ensejo de ensinar.


- “Eles estavam lá a observá-l’O de perto. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares Jesus disse-lhes uma parábola”...(Evangelho).

Os Seus gestos e palavras eram espionados. E ali mesmo, em casa estranha ousa dizer «O que se humilha será exaltado; o que se exalta será humilhado».Cristo revela-nos que a vitória coincide com a aparente derrota, e a sua força está naquilo que os outros consideram uma fraqueza. Revela-nos que a verdadeira riqueza está na pobreza, a verdadeira liberdade no fazer-se servo, a vida realiza-se quando a perdemos. Cristo quis revelar que amamos quando, como ele, damos a própria vida pela vida do outro; que estamos na verdade quando nos julgamos a nós mesmos e julgamos a história, não na medida do sucesso, mas da liberdade adquirida, do futuro que o homem realizou e conquistou, do novo que construiu, do amor que se difundiu.


Esta nova sabedoria, que vem de Deus e da cruz, como que congrega numa só mesa, numa só acção, com um só capital; eles não pretendem mais dominar nem servir-se da sabedoria humana para realizar uma comunhão de valores; eles encontram no amor, que se põe ao serviço do homem, a esperança, que impulsiona o mundo para novos e mais vastos horizontes.


A sociedade organiza-se e vive em torno da competição, da luta a todo o custo pelos primeiros lugares, do lucro, considerado como o valor último e absoluto : concorrência industrial até à eliminação da firma adversária; arrivismo social feito de cartas de recomendação; corrida em novo carro ou em traje da última moda para poder subir.


O jovem de hoje prepara-se para se inserir neste tipo de sociedade através duma educação familiar e universitária muito frequentemente baseada numa educação para a competição social e para o arrivismo. É grave o perigo de uma escola que se torna lugar de selecção social, massificando os demais, relegando-os à categoria de “inferiores”, e fazendo subir “os mais bem dotados”. Uma educação cristã que não se esforce por fazer o homem mais humano, mais capaz de uma verdadeira relação com o outrro, e sim mais auto-suficiente, mais aristocrático, mais separado, acaba por torná-lo potencialmente mais egoísta e explorador.


Para todos, em qualquer plano da hierarquia social em que se encontrem, escolher o último lugar significa usar o próprio lugar para o serviço dos últimos e não para o domínio sobre eles. E é nesta linha de humildade que Jesus aponta o verdadeiro caminho para o cumprimento do plano da História da Salvação.


Diz o Catecismo da Igreja Católica :


1962. – A Lei Antiga é o primeiro estádio da lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos. Os preceitos do Decálogo assentam os alicerces da vocação do homem, feito à imagem de Deus; proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial. O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem, para lhe manifestar o apelo e os caminhos de Deus e o proteger contra o mal.


1972. – A Lei Nova é chamada uma Lei de amor, porque faz agir mais pelo amor infundido pelo Espírito Santo do que pelo temor; uma Lei de graça, porque confere a força da graça para agir pela fé e pelos sacramentos; uma Lei de liberdade, porque nos liberta das observâncias rituais e jurídicas da Lei Antiga, nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade e, enfim, nos faz passar da condição de escravo «que ignora o que faz o seu senhor», para a do amigo de Cristo :«porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai»(Jo.15,15); ou ainda para a condição de filho e herdeiro.


John Nascimento

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