23º Domingo do Tempo Comum, Ano C

Atualizado: 1 de Set de 2019

A Liturgia da Palavra deste 23º Domingo Comum – C, faz-nos um convite à Fé numa Opção Radical. O ato de fé em Jesus realiza-se e torna-se concreto, abrangendo a realidade do homem em todas as suas dimensões, tanto as do corpo como as sociais e históricas.

A adesão à Sua Pessoa, que se vive na nova comunidade, tem exigências radicais e comporta rupturas e o sacrifício de certas realidades e de certos valores.


A renúncia que se faz a certas realidades e a certos valores, ou é um ato de desespero e demissão, frente ao sentido da existência, ou a abertura da ordem terrena à realidade de Deus que vem do alto, como graça. Quem optou por Cristo, está livre de si mesmo.


A 1ª Leitura, do Livro da Sabedoria, diz-nos que todas as religiões nos manifestam que sempre existiu um esforço mais ou menos consciente, da parte do homem, para procurar conhecer a Deus e Lhe ser agradável, ou pelo menos a temê-l’O.


- “É difícil calcularmos o que há sobre a Terra, e é com esforço que achamos o que temos nas mãos. E quem descobriu o que há nos Céus ?” (1ª Leitura).

Acontece, porém, que o homem, entregue a si mesmo, dificilmente se desliga de ídolos a que se ligou por superstição.Mas Deus, de revelação em revelação, apenas por amor, dá-Se a conhecer, e de tal forma o faz que, na Pessoa de Seu Filho – Jesus Cristo – comunica aos homens a Sua própria sabedoria, e tem sido para eles um refúgio seguro, como proclama o Salmo Responsorial :


- “Ó Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações”.

Na 2ª Leitura, S. Paulo na sua carta a Filemon, conta-nos a história de um escravo, para nos aconselhar um procedimento de fé e caridade. Um escravo que foge do domínio do seu senhor, é enviado de novo por S. Paulo, para esse mesmo senhor com as suas melhores recomendações.


- “Se me consideras, pois, em união contigo, recebe-o, como se fora a mim mesmo”. (2ª Leitura).

Um novo tipo de escravatura se instalou no mundo de hoje. Estruturas econômicas impróprias e, quem sabe, mesmo desumanas; domínio da máquina sobre o homem; a droga contra a boa alimentação; a escandalosa publicidade contra o direito da vida privada, etc. Para tudo isto que perverte o homem, só um espírito de fé como opção radical pode levar a um bom caminho.



O Evangelho é de S. Lucas, que nos diz que a serenidade da vida cristã exige reflexão, fé e decisão, na medida em que todo o baptizado deve renovar constantemente o seu compromisso com Cristo e por Cristo.


- “Quem não carrega com a própria cruz para Me seguir, não pode ser Meu discípulo(...) Aquele de vós que não se desligar de todos os seus bens, não pode ser Meu discípulo”. (Evangelho).

Tal compromisso, porém, não o será de verdade, se não houver uma renúncia ao amor próprio, ao egoísmo e aos prazeres do mundo. Cristo não admite partilhas : «Quem não é por Mim, é contra Mim».


Impregnado de amor de Deus, está o homem entregue às tarefas deste mundo, que ele executa não superficialmente ou apoiando-se nos próprios recursos humanos. As duas breves parábolas de Lucas são uma severa advertência contra qualquer compromisso superficial.


Antes de empreender uma construção é necessário sentar-se e fazer os cálculos, como igualmente, antes de enfrentar uma guerra. A fé é algo de radical e precisamos de nos interrogarmos se estamos prontos para tudo. É a opção de um homem maduro, de uma mulher exemplar, que avaliam atentamente o que lhes propõe a mensagem cristã. Não é fé de conveniência nem fácil romantismo nem desejo de pertença sociológica. Uma opção “madura” de fé exige, particularmente, autonomia e dedicação, valores inseparáveis.


A autonomia, pela qual alguém é ele mesmo, inclui a aceitação de si mesmo, a aceitação dos outros aos quais se pertence na convivência, a aceitação do outro no amor e no matrimônio, a aceitação do sentido da existência. Além disso, a autonomia implica um plano de realização de si que leve em conta esse contexto ambiental e uma tomada de posição pessoal que se torna abertura à dedicação.


Dedicação significa capacidade de estreitar laços com as pessoas ou com as coisas, desinteressadamente, respeitando o valor das pessoas e das coisas, respeitando a própria dignidade. A educação para a fé, especialmente nos jovens, deverá levar em conta essas observações.


Se não se forma uma personalidade autônoma nas relações consigo mesmo, com o próximo e com Deus através da “experiência”, corre-se o risco de comprometer o crescimento. Mas sendo a fé primariamente dedicação pessoal, resposta a um amor que se manifesta a nós mesmos, a educação para a dedicação humana torna-se importante, porque nos faz capazes de nos dedicarmos a Deus.


A família é o lugar ideal para uma educação da fé. O amor e a dedicação entre pai e mãe, a doação de todas as suas energias aos filhos, possibilitam a compreensão do amor de Deus por nós e estimulam a corresponder concretamente.


A opção radical, torna-se necessária na fé para quem quer caminhar dentro do plano da História da Salvação.



Diz o Catecismo da Igreja Católica :


166. – A fé é um ato pessoal : resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém acredita só, como ninguém vive só. Ninguém se dá a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros, da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé.


618. – A cruz é o único sacrifício de Cristo, «mediador único entre Deus e os homens»(1 Tim.2,5).(...) Convida os discípulos a «tomarem a sua cruz e a segui-l’O». (Mt.16,24) porque «sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos» (1 Pe 2,21). De facto, Ele quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários. Isto realiza-se, em supremo grau, em relação a sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor.



John Nascimento

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