Catequese com os Pais

Atualizado: 15 de Jul de 2019

1.2 - NÍVEIS DE PARTICIPAÇÃO DOS PAIS

Antes de uma paróquia se decidir a tomar medidas para promover a participação dos pais, deve começar por analisar qual é a participação actual. Uma participação inexistente, escassa ou ineficiente é já uma forma de participação. Um projecto ou programa que vise promover novas formas de relação não vai ser construído sobre o nada, mas sobre a tradição e o hábito (pré-)existente. Sem os conhecer e integrar no novo projecto, corre-se o risco de não atingir os objectivos, quer por não se considerarem os hábitos e resistências anteriores, quer por se tentar uma realização que não corresponde nem às ideias nem às necessidades dos supostos beneficiários.


O segundo passo consiste em decidir que tipo e nível de participação vamos implementar, definindo objectivos a curto, médio e longo prazo, ou seja, para este ano, para os próximos dois, para daqui a três anos.


Embora os modelos de análise de participação dos pais variem, podemos sintetizar os diversos níveis em cinco escalões.


“PAIS CLIENTES” - O primeiro é o mais elementar, uma vez que os pais são vistos como “clientes” (alguém que vai buscar alguma coisa à catequese: informação, formação), embora apesar de tudo se observem diferenças importantes na forma como esses clientes são tratados. Frequentemente os pais acham que as reuniões para que foram convocados não têm interesse, são mal organizadas e que os tratam de modo infantilizador (os promotores são os que sabem, os pais os que ignoram), os horários não são compatíveis com a sua vida profissional e familiar, e não têm onde deixar os filhos.


Os catequistas acham que os pais não aderem, que vão às reuniões em número reduzido, normalmente sempre os mesmos e nunca os que “precisavam” (leia-se, aqueles cujos filhos “dão problemas”). Deste modo, a tendência revela um número escasso de ocasiões para encontro e diálogo, um grupo de promotores desmotivados e frequentemente pouco cuidadosos. Os “clientes” mostram-se cada vez menos assíduos, porque o produto não é atractivo nem adequado.


Aos “clientes” também é frequente solicitar-lhes o acompanhamento dos filhos em casa e a falta deste acompanhamento constitui uma falha habitualmente apontada quando as aprendizagens das crianças e adolescentes não são positivas ou o seu comportamento se revela difícil, e infelizmente amiúde a única diagnosticada na globalidade do processo educativo. Como os pais não dão melhor ou maior acompanhamento aos filhos essencialmente por não saberem como ou não terem condições materiais ou psicológicas para o fazer, esse diagnóstico é sentido como uma acusação culpabilizadora, o que dificilmente incentiva uma mudança de atitudes.


Assim, mesmo relativamente ao nível mais elementar da participação dos pais, muito trabalho há a fazer, e de alguns aspectos importantes deste esforço nos ocuparemos mais adiante.


“PAIS AGENTES” - O segundo nível envolve mais os pais e considera-os mais plenamente como os agentes principais da educação dos filhos. A instituição quer beneficiar de um clima de proximidade, amistoso e aberto, em que as pessoas se conhecem bem e confiam umas nas outras. Este clima começa na organização dos espaço, disponibilizando salas para os pais esperarem pelos filhos, se encontrarem uns com os outros em condições de poder conversar e descansar dos seus múltiplos afazeres, e nos quais circulam os responsáveis da catequese, dispostos a estabelecer relações fortes e positivas, a aconselhar e a pedir ajuda. Tais espaços são também a sede de um esforço intenso de comunicação, usando cartazes, linhas de telefone (no dia tal, às tantas horas, é possível falar ao telefone com os responsáveis ou os catequistas; os catequistas telefonam periodicamente para conversar com os pais) e o envio de mensagens escritas, procurando que os pais estejam bem informados das actividades dos filhos e da sua fundamentação (explicar legitima as nossas opções).


Nalgumas paróquias, o esforço de estabelecer uma relação duradoura e profunda tem levado catequistas e sacerdote a fazer “visitas domiciliárias” às famílias que “nunca aparecem”, um trabalho particularmente difícil nas zonas mais degradadas das grandes cidades ou acidentado nas zonas rurais mais longínquas. Não é um trabalho que deva ser feito como uma iniciativa isolada de uma pessoa, nem apenas uma vez, pois há que ter em conta os problemas concretos a enfrentar, não poucas vezes de segurança, mas também porque não é legítimo criar-se expectativas nas pessoas que depois não são respeitadas. Por melhores que sejam as intenções, não se trata de ir à aventura. Mas é sempre possível reflectir sobre o que queremos oferecer às famílias e aos nossos catequizandos, estudar conscientemente as possibilidades materiais e humanas de ir mais longe, analisar as condições de que dispomos, assim como as ajudas a considerar de outras estruturas paroquiais e as possibilidades de uma trabalho sério feito em conjunto.


Por fim, estes pais, agentes educativos, podem ser solicitados e orientados para apoiar as actividades da catequese. É o momento de lhes propor participar na catequese familiar e/ou de adultos, tornar-se orientadores nas reuniões e cursos de pais, colaborar noutras instâncias da paróquia em que possam simultaneamente servir e aprender.


“PAIS PARCEIROS” - No terceiro nível, os pais são vistos como parceiros, pares e companheiros dos catequistas e professores, que os entendem e consideram tão aptos para as tarefas educativas específicas e para as comuns, tal como a si próprios. A partir deste nível, as crianças e adolescentes têm à sua disposição equipas concertadas de educadores, embora actuando essencialmente em espaços e tempos diversos. As diferenças de estatuto esbateram-se, partilham-se saberes e competências. Os pais são consultados, dão sugestões que são tidas em conta, têm oportunidade e público para defender os seus pontos de vista e são chamados para avaliar em conjunto. Também lhes é pedido que partilhem da sua experiência profissional, familiar e religiosa como “visitantes dos grupos”.


“PAIS COLABORADORES” - O quarto nível é o dos pais colaboradores, encorajados activamente pelos responsáveis a trabalhar em conjunto e dividir tarefas com os catequistas. Estão presentes nos períodos em que há catequese para acompanhar as crianças que vão chegando, para receber e informar outros pais, para fazer a ponte com os outros serviços da paróquia. Os outros serviços podem e devem ser considerados recursos adicionais para a catequese uma vez que são espaços e actividades em que os jovens catequizandos vão aprendendo a viver a sua experiência de fé. Os pais colaboradores também auxiliam na produção de eventos e de materiais, tomando as decisões em conjunto com os catequistas, acompanhando a realização de actividades (festas, passeios, visitas, etc...).


Um aspecto importante da participação activa dos pais colaboradores consiste em ter presente na catequese (planificação, implementação e avaliação) a voz dos pais, como veículo dos seus problemas, interesses, necessidades e testemunho. Estes ajudam a catequese a direccionar-se para os problemas reais das pessoas, às quais o testemunho cristão deve dar resposta. Também são agentes de evangelização uma vez que a sua participação na catequese, inicialmente a dos filhos, lhes fornece a formação e o apoio moral e humano necessários para viver cristãmente a sua vida, nos diversos locais que as suas responsabilidades proporcionam.


“EDUCAÇÃO PARTILHADA” - No quinto nível deixamos de ter “pais” e “catequistas” para desenvolver um sistema de educação partilhada. Os pais participam nas decisões (e tão directamente quanto possível), têm todos uma colaboração directa que inclui a planificação e decisão. A catequese não é oferecida aos pais, é desenvolvida por estes, vivida por todos. Os pais são responsáveis pela catequese, pelos serviços de apoio, são catequistas e produtores de materiais. Os pais são também catequizandos e animadores de grupos diversos de apoio, integrados nos serviços paroquiais. 


Secretariado Nacional da Educação Cristã- Diocese do Porto/Portugal.

Este texto apresenta grafia de Portugal.





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